6 de ago de 2013

Pedagogia Quântica



Por: Jorge Schemes

O princípio quântico de entrelaçamento de partículas revela que há uma sincronicidade no universo, ou seja, não há coincidências, pois tudo está interligado. Sendo assim, não estamos separados do todo, mas somos parte do universo. Diante disto, o dualismo psicofísico de R. Descartes cai por terra, ou seja, sua tese de que somos apenas substância extensa (corpo) e substância pensante (mente) já não é mais suficiente para entender a nossa realidade. Porém, o que norteia a concepção de realidade do mundo capitalista e neoliberal é justamente a concepção cartesiana, de que o ser humano é como uma máquina programada e fragmentada, separado do todo. A idéia cartesiana do sujeito como ser pensante promove o individualismo egoísta. A propósito, esta concepção cientificista de ser humano influenciou fortemente os modelos pedagógicos por meio da psicologia experimental de B. Skinner com sua tese do behaviorismo. Todavia, pela física quântica percebemos a realidade de modo totalmente inverso, ou seja, não somos seres fragmentados, mas estamos todos interligados pelo mesmo princípio que rege o entrelaçamento de partículas. O que quer que o ser humano faça, não está fazendo apenas a si mesmo. Não tecemos a rede da vida, somos apenas um nó desta rede. Se de fato, estamos todos interligados no universo, precisamos rever as nossas concepções de educação, de ser humano e de sociedade. Na perspectiva do princípio quântico do entrelaçamento de partículas, como educadores não podemos pensar no conhecimento de forma fragmentada ou separado do todo. A especialização é necessária, mas nada mais é do que saber cada vez mais acerca de cada vez menos. Há urgência em desenvolver uma concepção integral da realidade e do ser humano. O conhecimento não pode ser visto como algo linear, mas sistêmico. Em sala de aula devemos pensar, falar, sentir e agir de forma interdisciplinar e transdisciplinar. Devemos perceber o entrelaçamento de nossa prática com as demais práticas. Chegou o momento de parar de fazer educação de forma fragmentada, separada e alienada da realidade de nossos colegas de trabalho e de nossos alunos. Mas como é possível mudar nossa prática? Devemos primeiro mudar os nossos pensamentos, palavras e sentimentos. Platão já nos disse que este não é um processo fácil. Sair da caverna é sentir o desconforto de questionar as nossas certezas. Embora a física quântica nos ajude a entender a realidade sob outro prisma, o que irá determinar de fato a mudança será o pensamento positivo, o qual se manifestará em nossas palavras e sentimentos e criará, por meio da lei da atração, a realidade que desejamos.

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