15 de mai de 2013

Dança do ventre e psicossomática, por Mel Breviliere

Doença psicossomática ou somatização: Qual a diferença?

Escrito por Mel Breviliere   

Somatização:
Consiste na presença de sintomas físicos mas não há presença de doença orgânica.  A causa destes sintomas é emocional. Geralmente o indivíduo apresenta sintomas característicos de determinada doença, mas não é constatada nenhuma presença patológica.

Doença Psicossomática:
Neste caso, há presença de alterações clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa apresenta danos físicos. É uma doença orgânica, mas com causa psicológica. Em situações de forte estresse emocional o corpo reage como que “informando” que algo não está bem. O corpo em sí é nosso sinalizador, através de sintomas percebemos como está nosso equilíbrio mental e físico.


O poder da mente
 A Psicologia e a psicoterapia nos mostram que da mesma forma que a mente pode produzir algo ruim, também pode ter a capacidade de reverter. Trata-se apenas da capacidade que todos temos de influenciar nosso corpo de forma mental este processo pode acontecer de forma involuntária, mas pode ser tratado voluntariamente mediante a determinação mental de superação e a persistência em superar estas mazelas psíquicas que podem ser acumuladas por causas inúmeras, para facilitador desta, faz-se imprescindível a presença de um Psicólogo para acompanhamento.


A Dança do Ventre como terapia
As potencialidades sensoriais, sensitivas, perceptivas, cinestésicas, motoras, criativas e comunicativas são ampliadas mediante a prática da dança do ventre, o reconhecimento da identidade, a sensação de acolhimento que a Dança do Ventre trabalha diminuem os sintomas psicossomáticos. A dança pode estimular e equilibrar os hormônios femininos, auxiliar na cura da insuficiência ovariana, bem como combater a prisão de ventre, uma vez que trabalha o tônus da parede abdominal contribuindo para o peristaltismo voluntário. Isso acontece através das ondulações abdominais, combinados à respiração. Fatores como uma boa circulação sanguínea também contribuem para  a manutenção da juventude.

Os movimentos conjuntos e isolados executados na dança ativam o fluxo sanguíneo principalmente na região gênito-urinária, os tremidos, nomeados shimmies provocam a liberação de endorfina, um neurotransmissor que gera prazer e assim, bom humor.

Há um efeito sobre a circulação causando a nutrição dos tecidos, evitando a rigidez articular, estimulando a musculatura e a coordenação motora,  o que diminui o risco de lesões. A prática frequente favorece o condicionamento físico, a função cárdio-respiratória e exercita continuamente a memória.

Os benefícios da dança do ponto de vista psicossomático são cada vez mais reconhecidos pelos terapeutas e pelos médicos. Os ganhos diretamente físicos são inconstestáveis, a sua prática também tornou-se muito reconhecida por não estabelecer restrições quanto à idade.  Os movimentos e uso dos grupos musculares favorecem a agilidade, postura e conservação dos ossos, e tudo isto com o prazer da música, o que torna sua prática de acesso universal e demasiadamente prazerosa.

Em ritmos de maior velocidade há o condicionamento respiratório, reeducação do tônus do diafragma e em ritmos mais lentos a coordenação motora e o autocontrole, manejo da ansiedade dentre outros fatores são trabalhados com minuciosidade.

O ventre em si é considerado a “morada” dos apetites - tanto apetite sexual, como a vontade de comer, a empatia ou atração por alguém, a ansiedade, desejo de posse, maternidade, proteção, medo e raiva, por isso é comum haver consequências físicas imeditadas diante destes sentimentos. Da mesma forma os exercícios envolvendo esta área do corpo facilitam o fluxo de emoções, bem como a mentalização e a motivação para o alcance vitorioso do corpo e mente equilibrados  - “no ventre, o sonho toma forma”.

Como veículo despertador da feminilidade, a prática terapêutica da dança no enfrentamento das doenças psicossomáticas conscientiza a mulher da importância harmônica entre seu corpo e sua psique, além disto, abre sua compreensão sobre a expressão corporal como aliada no desbloqueio de energias estagnadas ou maléficas causadas por introversões ou emoções reprimidas.

Dentre os ganhos e benefícios diretos da Dança do Ventre podemos citar:

Físicos:
  • Preparação para o parto
  • Recuperação do tônus muscular pós-parto;
  • Combate problemas relacionados ao abdômen como: TPM, cólicas, constipação intestinal e dores renais;
  • Alongamento geral do corpo sem risco de lesões, distenções ou contraturas (obviamente, através de exercícios bem administrados);
  • Tonificação da musculatura de forma gradual e “ de dentro para fora”;
  • Fortalecimento dos órgãos localizados do abdômen, tornando-os mais eficientes e ativos;
  • Postura correta e confortável;
  • Equilíbrio e energização;
  • Respiração correta;
  • Auxílio em dietas e perda de peso;
  • Aumenta a flexibilidade.

Psicológicos/emocionais/sociais: 
  • Auto estima/ auto reconhecimento;
  • Ampliação da consciência corporal;
  • Diminui a ansiedade;
  • Melhora o aspecto instrospectivo;
  • Alivia tensões;
  • Evita o estresse ( que pode desencadear todos os tipos de doenças);
  • Proporciona maior criatividade por conta da atividade mental intensa;
  • Equilibra emoções ;
  • Melhora a função sexual fisicamente e emocionalmente (controle dos esfíncteres, fortalecendo a musculatura do períneo e assoalho pélvico, prevenindo doenças urinárias.);
  • Estimula a clareza mental;
  • Estimula a concentração e memorização (através das sequência e montagens coreográficas)
  • Desenvolve a percepção musical mediante a sensibilização auditiva e a decodificação simbólica dos sons;
  •  Conscientiza quanto a sensualidade desvinculando a mesma da vulgaridade;
  • Proporciona o relacionamento interpessoal e a comunicação corporal;
  • Facilita no tratamento da inibição excessiva como a timidez e introversão;
  • Aumenta a interação social do indivíduo por trabalhar a consciência corporal e auto estima;
  • Proporciona a possibilidade do olhar interior e a auto-observação;
  • Gera grandes benefícios em torno da dissociação corporal e mental.


Sendo assim, torna-se cada dia mais rica e benéfica a Dança do Ventre em particular como um tratamento eficaz contra os males somatizados inconscientemente representados fisicamente por doenças de cunho emocional e psicológico, ressaltando que o conhecimento do Psicólogo torna-se imprescindível para uma terapêutica consistente, pois de acordo com o direcionamento do mesmo a prática terapêutica é conduzida de forma ética e profissional.


MARILEI BREVILIERE LIMA (Mel Breviliere)
Facebook: https://www.facebook.com/MelBreviliere?ref=tn_tnmn
Email: melpsiserrinha@gmail.com
Psicóloga formada e Dançarina do Ventre, iniciou seus estudos em dança árabe em 2001, ministra palestras sobre a Dança do Ventre Terapêutica e utiliza a mesma como técnica no tratamento de doenças psicossomáticas

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