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31 de mai. de 2017

Tantra - o caminho é possível?


COMO SABER SE O CAMINHO DO TANTRA É PARA MIM?


O Tantra não é um dogma ou uma religião. É uma atitude em relação à vida, num conjunto de práticas e vivencias que possibilitam a manifestação, o crescimento e a expansão da sua energia vital. Quando uma pessoa inicia suas práticas, torna-se mais consciente de seus próprios desejos e realizações, passa a sentir o outro plenamente. Essa atitude faz a energia pessoal entrar em uma vibração elevada, mais sutil.
A maioria das tradições místicas preconiza que os desejos materiais e as aspirações espirituais são excludentes, o que gera uma luta interna sem fim, gerando muita culpa e autocondenação. O Tantra traz um caminho alternativo, trazendo paz e alegria.
O comportamento sexual dentro do Tantra é um aprendizado do reconhecimento do potencial da energia vital, somado a uma atitude de empoderamento e segurança que possibilita um resultado de descobertas do corpo físico e transcende ao que a maioria experimenta.
Quando um tântrico fala sobre sexualidade, naturalmente é com a intenção de elevação espiritual. É totalmente diferente do conceito de sexo no ocidente, cujo  principal objetivo é chegar ao orgasmo.
No Tantra não existem pecado, tabus, preconceitos, bloqueios ou medos. O sexo é um momento ritual de aceitação e entrega absoluta.
Aspectos que foram sufocados, devido aos bloqueios impostos pelos pais, pela criação, pela sociedade, por crenças limitantes  e por relacionamentos mal resolvidos deixam de existir.
O Tantra é para você, se quiser fortalecer um vinculo com a pessoa que você ama e ter mais consciência de si e de suas atitudes!
Antes de decidir se é esse o caminho, olhe pra dentro de si e avalie a sua abertura em conhecer e explorar novos ensinamentos, novas perspectivas e principalmente o sobre o quanto você está disposto a empreender mudanças na forma com que vem levando a vida.
Quais são as suas necessidades?
O que você espera conseguir?
Quais são as áreas na sua vida que precisam ser modificadas?
Se você está disposto a mudar, se acha que sua forma de levar a sua história pessoal pode e deve ser ressignificada e se possui coragem suficiente pra empreender as mudanças necessárias … esse caminho com certeza é o seu!
Bem-vindo!

Cláudia Guilherme (Siari Prem)
Orientadora sexual, terapeuta holística e tântrica, além de produtora cultural. Palestrante especialista na abordagem de assuntos como sexualidade, comportamento amoroso, autoestima e resgate do feminino. Ministra diversos cursos, palestras e workshops na área de sensualidade por todo o Brasil.
E-mail: editorial@riofiqueligado.com.br. Instagram: @claudiaiambe.

11 de jan. de 2017

Projeto 2017 - Percurso feminino ao longo da história - Referências de estudo - aula 1 - pré- história

Aula 02



- http://www.suapesquisa.com/pesquisa/paleolitico.htm
- http://brasilescola.uol.com.br/historiag/o-cotidiano-mulher-na-pre-historia.htm

Leitura antecipada para as aulas 03 e 04
(obs. outras leituras serão passadas a posteriori)

- Penna, Lucy. Dance e Recrie o Mundo, a Força criativa do Ventre, Summus. São Paulo,1993. ( pgs. 83 a 104) - pré leitura para as aulas 02 e 03 - mesolítico e neolítico




6 de out. de 2016

Quando há amor, o ou(t)ro é revelado em nós.
A química atrai os corpos. Secretamente pelo olfato, explicitamente pela delicadeza do toque ou pelo encaixe e entrelaçamento da forma. É uma magia que se inicia na aproximação e se consolida no entrelaçamento. Num processo que ultrapassa a nossa razão.
Essa química é exatamente as forças da natureza atuando em nós, independente da nossa vontade consciente. Química é importante, mas um relacionamento não se sustenta apenas na química. Não se sustenta apenas nessa atração inconsciente. Todo relacionamento é uma construção, uma arte diária, uma Alquimia constante de descoberta. E toda Alquimia consiste em dois processos fundamentais. Um deles é desvendar as forças da natureza, ao mesmo tempo reconhecendo que por mais conhecimento que tenhamos dela, o mundo será sempre um mistério para nós. Ou outro é, a partir do entendimento e da magia das forças das Natureza, chegar ao elixir da Vida.
Aplicando esses dois caminhos na arte do relacionamento, é preciso que saibamos que nós somos um enigma para nós mesmos e que o outro, portanto, também sempre será um enigma para nós. E há uma beleza incrível nesse reconhecimento. A beleza da sedução e da descoberta como possibilidade diária. Cada dia é um mistério para nós, por mais que nossos hábitos tentem nos fixar no tempo e mostrar que não há novidades. Sempre há nascimentos, transformações, revelações estonteantes em um dia. O contato com a natureza nos evidencia toda essa beleza num desabrochar de uma flor, num pôr-do-sol, num nascer da lua, nos movimentos do mar, que nunca são iguais e nunca se repetem.
A Vida será um grande mistério sempre parcialmente revelado para nós e nos surpreenderá se nosso olhar não se estagnar. O outro será sempre um mistério parcialmente revelado para nós se nosso coração e a nossa mente não se renderem aos hábitos. Achar que entendeu tudo o que se deveria entender e que já viveu tudo o que poderia viver na Vida é uma equivocação comum que muitos cometem e que nos tira o encanto que ela constantemente nos oferece. Assim como achar que entendeu o outro e que não há nada mais nele a ser revelado nos faz perder a visão de que um relacionamento é uma arte de sedução, de abertura, de construção e de desconstrução diária. O outro será sempre um desdobramento da vida em nossa vida se assim permitirmos e se tivermos o espírito e a presença mútua para assim cultivar uma relação.
Mas a arte da Alquimia não nos falava apenas de mistérios e suas revelações. A arte da alquimia consiste em descobrir, em meio às transformações da Vida, o elixir da imortalidade, o soma. Esse néctar é a substância mais sutil e a mais sublime da Criação. É a fonte da juventude, pois é em si mesma a origem de tudo o que nasce e aquilo que permeia tudo o que existe. Esse processo simbolicamente é associado à transformação do chumbo em ouro. Para os Alquimistas, o ouro já está no chumbo. Por processos alquímicos, o excessos são retirados e o outro é revelado. Esse ouro é o amor, a essência de cada um de nós. Aquilo que todos buscamos em qualquer relação é o encontro amoroso.
Quando há amor, o ou(t)ro é revelado em nós. O que buscamos através do outro é o Amor, que é a Unidade da Vida, a sensação de não separação. O Amor é o que nos mantém unidos e é a própria união, é quando nos encantamos pelo outro, quando até mesmo o olhar do outro nos acalma, e através dele nos reconhecemos. Num relacionamento, é pela aceitação incondicional do outro que afrouxamos as nossas defesas e nos aceitamos completamente. Nessa aceitação, o amor se revela como a fonte do que buscávamos. Por isso ele se basta, temos a sensação de que encontramos o tesouro da Vida. Esse Amor é a fonte de nós mesmos e a essência fundamental do outro.
Esse é o passo final da Alquimia, mas não deixa de ser um processo constante, uma arte de olhar. Quando mantemos esse reconhecimento da natureza essencial do outro como não diferente da nossa, criamos um espaço para a compaixão e para a aceitação das suas diferenças e das suas sombras quando elas se revelam aos nossos olhares. O relacionamento deixa de ser uma janela através da qual vemos algo distante de nós, para se tornar um espelho, uma oportunidade de nos enxergarmos através do outro. Seja a nossa luz amorosa ou as nossas sombras. A arte e o desafio constante é ver através das sombras a luz que sempre brilha. Através do metal mais pesado, do chumbo, a natureza pura e constante de brilho que somos, o ouro. Um relacionamento que promove o amor e o crescimento é o relacionamento em que, neste espelhamento, a arte se torna reconhecer as sombras mas exaltar a luz. E esse processo não se dá quimicamente, ou seja, inconscientemente, esse é um caminho de construção artística, uma Alquimia.

Tales Nunes

12 de jun. de 2016

A arte de fazer amor

Quem quer aprender a fazer amor
 
 
Quem quer aprender a fazer amor precisa se esquecer um pouco de sexo.
Precisa se esquecer até mesmo do outro. Deve estar em si, antes de tudo.
E entender-se com suas raízes selvagens.
E deve saber, antes, que o amor rege o mundo.
Mesmo quando se esquecem dele.
Quem quer aprender a fazer amor deve ser capaz de olhar nos olhos.
E no olhar expressar, receber, trocar. Até tocar.
Precisa perceber o quanto as almas podem comungar, ainda que os corpos não se conheçam.
Deve, ao lado do seu bem – sim, pra fazer amor tem que querer bem –, abrir espaço para que uma canção de derramada beleza os transporte para reinos de ternura.
Precisa conhecer o próprio corpo e ter a bondade de lhe conceder prazer. Precisa investigar o prazer do outro e saber que tudo está muito bem se tiver prazer em lhe provocar prazer.
Quem quer aprender a fazer amor também deve ser capaz de se aninhar no corpo do seu par e ficar quietinho. E deve ser livre o suficiente para poder chorar de amor.
Nunca pode se considerar mestre. Porque os verdadeiros mestres sabem que são aprendizes sempre.
Quem quer aprender a fazer amor tem que ser criança no coração e amar a brincadeira.
E tem quer ter tempo, muito tempo, para fazer amor.
Porque a cama a gente prepara muito antes de deitar.
 
Onides Bonaccorsi Queiroz

10 de fev. de 2016

O Ciclo Menstrual e os 4 Arquétipos Femininos

O Ciclo Menstrual e os 4 Arquétipos Femininos


Imagem Juliaro: palomailustrada.blogspot.com
















As mudanças físicas durante o ciclo menstrual  são cada vez mais conhecidas por nós mesmas e pelas pessoas
ao nosso redor. É muito visível e perceptível que o nosso corpo muda, assim como a nossa disposição e o nosso
humor. Já as mudanças internas que afetam a sexualidade, a espiritualidade e a criatividade ainda são bastante 
ignoradas.

Assim como a “menstruação” é inevitável, as energias e/ou emoções associadas ao nosso ciclo também são. 
E são símbolos da natureza incontrolável e selvagem da mulher. Esse aspecto selvagem e consequentemente 
cíclico não é valorizado socialmente, e por questões internas ou externas muitas vezes tentamos ser constantes 
para atender as expectativas, sejam profissionais, emocionais ou de relacionamento.  

Controlar esse fluxo, essa natureza essencial feminina é como tentar parar um rio muito caudaloso: impossível! 
Suas águas vão encontrar algum lugar para seguir fluindo e aí é quando aparecem as dores, as tensões 
pré-mentruais, a irritabilidade, entre outros sintomas que mostram que o rio esta encontrando outras formas para 
seguir o seu caminho, pois é um fluxo tão poderoso que não podemos estanca-lo. Da mesma forma quanto mais 
nos conectamos com a nossa natureza essencial, aceitando que somos cíclicas e que estamos em constante 
movimento, podemos aproveitar o que cada fase tem de melhor e “dançar” com cada uma delas.

O ciclo “físico”, de todos os meses tem 4 fases: pré-ovulatória, ovulatória, pré-menstrual e menstrual.  Nas lendas
antigas e na mitologia as energias que a mulher experimenta durante o seu ciclo menstrual também estão 
descritas em quatro fases, um reflexo das fases da lua. Miranda Gray, terapeuta, artista e autora inglesa através 
do seu livro “Luna Roja” * reune essas informações associando cada uma dessas fases a um arquétipo: Donzela, 
Mãe, Feiticeira e Anciã.  Arquétipos, neste caso, são imagens e energias comuns a todas as mulheres 
independentemente da cultura a qual estamos inseridas.

A lua crescente representa a fase que vai desde o fim do fluxo menstrual até o começo da ovulação 
(fase pré-ovulatória). As energias dessa fase são dinâmicas, inspiradoras, de iniciativa, e se assemelham a uma
jovem Donzela. Uma fase que nos pede ações independentes e a realização de tarefas.
Sugestão: Faça uma lista de todas as coisas que você quer fazer esta semana e mãos á obra, a criar novos 
projetos.

Já a lua cheia se relaciona com a Mãe e representa o período da ovulação (fase ovulatória), as energias aqui se 
assemelham a da maternidade pois contam com a energia de criar, sustentar e fortalecer. A criatividade interna 
da mãe surge para criar uma nova vida. Esta fase nos pede para ser amorosas, aproximar-nos das pessoas e 
expressar-lhes nossa gratidão. Sugestão: alimenta projetos e ideias que já existem.

A diminuição da luz durante a fase minguante reflete a diminuição da energia física da ovulação à menstruação 
(fase pré-menstrual), assim como o aumento da sexualidade, da criatividade, da magia e a palavra escolhida para 
este aspecto é a da Feiticeira, a qual tem o poder tanto para criar como para destruir. Nesta fase se liberam as 
energias que podiam ter criado uma nova vida, um filho, só que desta vez se desenvolvem no exterior pedindo-nos
uma criatividade e espiritualidade independentes. Sugestão: Deixa que o seu coração, o seu útero e a sua 
criatividade encontrem as imagens e palavras para expressar-se.

A lua nova e a Anciã representam a fase da menstruação, onde a mulher retira as energias físicas do mundo 
terrenal levando sua consciência ao mundo espiritual. Essa etapa nos pede para descansar, rezar, meditar e 
reflexionar. É uma fase de morte-renascimento onde as energias criativas que se gestam na mente podem gerar 
tanto uma nova vida como filhas-idéias, já que é nesse período onde começa um novo ciclo. 
Sugestão: Vá pra cama um pouco mais cedo esta semana e desfrute de um descanso extra.
Se comparamos o ciclo lunar com o feminino, as fases crescente e minguante são momentos de mudança e 
equivalem as etapas da Donzela e da Feiticeira. Já a lua cheia e a lua nova são períodos de equilíbrio, assim 
como as fases da Mãe e da Anciã.

Na maioria das mulheres a menstruação ocorre na lua cheia ou na nova. Mas não é necessário que o ciclo 
pessoal acompanhe o ciclo lunar, o importante é estar em harmonia com o seu próprio ciclo.  Os limites entre 
uma fase e outra não são rígidos (uma semana num ciclo de 28 dias), as energias passam livremente de uma 
para outra numa fusão dinâmica. Pouco a pouco e com algum tempo de observação perceberemos como uma 
fase vai diminuindo sua força para iniciar à outra.

O mais importante é que cada uma perceba no seu ciclo, individualmente, como estas energias estão presentes, 
como nos influenciam e o tempo que cada uma delas nos acompanha. Muitas vezes uma só atividade em 
harmonia com cada uma das fases já nos faz sentir bem e nos alinhamos com nossa natureza!

Parece algo complexo e difícil?! Na prática é muito mais fácil de compreender estas relações já que fazem parte 
da nossa natureza essencial feminina. Uma sugestão para que nos conectemos mais e mais com essa natureza 
é anotar diariamente, o estado emocional, o nível de criatividade, ou de energia, o dia do ciclo e a fase da lua. 
Este recurso é também chamado de Diagrama Lunar. Essa observação diária ajuda a despertar nossa percepção 
entre o útero e a mente consciente criando um vínculo positivo com o ciclo menstrual.

Quando reconhecemos e aceitamos nossa ciclicidade e aprendemos a utilizar os recursos pessoais que estão 
disponíveis diariamente, expressamos mais e mais o nosso Ser no mundo, nos sentimos em conexão com nós 
mesmas e com as pessoas ao nosso redor.


Camila


  *  “Luna Roja” (não esta traduzido ao português)
    Gray, Miranda. Luna Roja. 2 ed – Buenos Aires, Gaia/Grupal, 2013





http://soutodoser.blogspot.com.br/2015/05/o-ciclo-menstrual-e-os-4-arquetipos.html?spref=fb

16 de set. de 2015

Reich e a sexualidade

A função do orgasmo, o que é isto :?

Autor: Marcia Oliveira

AGOSTO/97 – SÃO PAULO
TRABALHO APRESENTADO NO ENCONTRO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DE WILHELM REICH por MÁRCIA HELENA DE OLIVEIRA, CRP 06//4674

Tema da mesa: A FUNÇÃO DO ORGASMO, O QUE É ISTO?

Como bem sabemos, enquanto estudiosos da significativa obra de Wilhelm Reich, esse grande cientista foi frequentemente atacado com interpretações distorcidas, ou fora de contexto sobre sua pesquisa científica a respeito da função da sexualidade humana, como se houvesse algo não de todo correto ou sério, em um cientista que se interessasse em estudar esse tema.
Reich por sua vez, dizia freqüentemente que a função da sexualidade humana, foi um dos aspectos mais negligenciados pela pesquisa científica e que poucos foram os cientistas antes e mesmo depois de Freud, que se ocuparam dela como objeto de suas investigações e ainda, que entendia as críticas oportunistas e preconceituosas que se colocavam como obstáculos ao prosseguimento de suas pesquisas, como manifestações biopáticas da estrutura de caráter neurótica do homem do séc. XX. Dessa forma, constrangido a descobrir meios para superar essas críticas, Reich acabou por desenvolver estudos cada vez mais consistentes que culminaram na criação da metodologia de pesquisa orgonômica: o funcionalismo orgonômico.

Num justificado protesto, Reich coloca em sua obra “Superposição Cósmica” – 1950: “Estamos livres para deixar a confirmação ou refutação do nosso trabalho, a qualquer pessoa que queira tomar para si tal tarefa. Devemos contudo lembrar àqueles que nunca se deram ao trabalho de olhar em um microscópio ou para o céu , que nunca entraram em um acumulador de energia orgone e contudo estão cheios de falsas opiniões “autoritárias” sobre a orgonomia, que fiquem de lado e não perturbem um trabalho sério. Fiquem no mínimo quietos!!!”

Em sua obra “People in Trouble” - 1953, Reich segue dizendo: “É impossível dominar as funções da vida, se não se as vive completamente. Quando Malinowski decidiu estudar as culturas antigas foi para as ilhas Tobriand onde conviveu com seus habitantes em suas choupanas compartilhando suas vidas e amores ... a visão revolucionária se desenvolve a partir da prática, e ao longo de um espaço de tempo ... Estamos realizando um trabalho pioneiro com nosso conhecimento psiquiátrico e biofísico e revelando os princípios básicos do processo vital. Nosso trabalho é prevenir o câncer e outras biopatias e dessa maneira fornecer os princípios da economia sexual para todos e principalmente na educação das crianças. Sabemos que às vezes, a compreensão sobre os fenômenos pode surgir prematuramente em uma pessoa, antes que os demais indivíduos tenham atingido o mesmo nível de compreensão. A história das ciências naturais e do desenvolvimento cultural está cheia desses exemplos.”

Vale dizer que antes de Reich, a sexologia representada por nomes como Forel e Hirschfeld, se ocupava da sexualidade doente, quer dizer das perversões. Não havia qualquer pesquisa científica que permitisse construir uma teoria a respeito da função da sexualidade, capaz inclusive de preencher a lacuna deixada pela teoria econômico social de Marx, uma vez que nesta, a questão da família é em si mesma cheia de elementos emocionais e irracionais que nos remetem à moral e não à ciência natural. Reich procurou preencher essa lacuna em seus livros:“A Revolução Sexual” – 1945 e “A Psicologia de Massas do Fascismo” – 1946. Nesses livros fica claro que o problema nunca foi a forma da família ou a questão da procriação em si, mas o fato de que a família e a procriação tinham obscurecido desde o início a função do prazer biológico do animal humano. A potência orgástica, o cerne da posterior sociologia sexo econômica de Reich, só foi descoberta e descrita entre 1920 e 1927. Reich ainda esclarece: “Em suma, todos os esforços para compreender e reorganizar a sociedade operaram-se sem nenhum conhecimento do problema biosexual do animal humano”.
Quando Reich escreveu seu livro “A Função do orgasmo”, o primeiro deles, 1925, 1927 – tentava já utilizar a questão da sexualidade de modo sócio político. Entendia os problemas econômicos trazendo limitações externas que se somavam às inibições genitais já individualmente condicionadas, despotencializando assim os indivíduos, tornando-os enfraquecidos, sedentos por autoridade externa e vulneráveis ao sadismo de alguns grupos fascistas. “O sonho de uma melhor existência social permanece sendo apenas um sonho, exatamente porque acima de tudo, no plano individual, continua comprometida a capacidade de satisfação genital. A grande miséria em que o homem se acha enredado, é devido a sua couraça caracterológica, que dificulta que ele acesse suas grandes potencialidades uma vez que o afasta da sua natureza primária e portanto da necessidade de viver em uma sociedade que permita que ele realize seu sonho de uma vida socialmente realizadora, e ainda, fornece justificativas para essa fuga ...” Esclarece Reich em “O Éter, Deus e o Diabo” - 1949

A energia sexual é gerada no corpo e necessita liberar-se através da convulsão orgástica que envolve todo o organismo. Se esta liberação natural fica inibida, se produz um represamento dessa energia (estase), que dá origem a todo tipo de mecanismos neuróticos. A liberação dessa energia bloqueada através do restabelecimento da função do orgasmo é a meta terapêutica, já que desta forma se restabeleceria o fluxo natural da bioenergia e conseqüentemente se eliminaria a neurose.

Finalmente, gostaria de citar Reich ainda uma vez mais, no texto sobre o Funcionalismo Orgonômico, escrito por volta de 1947. “Tudo que fiz, foi realizar uma descoberta fundamental, superando o irresponsável porém compreensível acanhamento, no que se refere ao processo central da sexualidade. Eu meramente descobri a função do orgasmo, mas eu fiz isso de uma forma completa e consistente.”

Muito ainda haveria para falar sobre o que Reich chamou de “A Função do Orgasmo, mas talvez o mais importante seja dizer que essa pesquisa permitiu que outras portas fossem sendo abertas. Reich, além de descobrir a função terapêutica do orgasmo abriu caminho para uma consistente investigação científica que vai desce o funcionamento das amebas ao comportamento das galáxias.
Obrigada a todos

Bibliografia utilizada:
Psicopatologia e sociologia da vida sexual - Global editora e distribuidora ltda
A Função do Orgasmo – editora brasiliense 1975
A Revolução Sexual – circulo do livro
Psicologia de Massas do Fascismo – ed.Martins Fontes, 2a edição março de 1998
La Irrupcion de la moral sexual – Editorial Homo Sapiens, Argentina
W.R.,Una Biografia Personal, por Ilse Ollendorf Reich, Granica editor, 197 Barcelona
Orgonomic Functionalism, part 2 on The Historical Development of Orgonomic Functionalism – Orgone Energy Bulletin, Maine, 1950 e
People in Trouble – Orgone Institute Press, New York 1953 -
( ambas obras traduzidas pela Sociedade W.Reich do Brasil)
O Éter, Deus e o Diabo seguido de A Superposição Cósmica - ed.Martins Fontes, 2003

Fonte: http://www.espacowilhelmreich.com.br/artigos.php?c=24   acessado em, 16 de setembro de 2015                    

30 de abr. de 2013

Corpos de amor




Na arte dos nossos corpos... a comunhão do infinto demostra o seu canto místico.

Tássio Revelat

29 de abr. de 2013

Sussurros Vivenciais - poema de Miliane Tahira



Que pulsação é essa, que sobe de dentro das minhas pernas, que despetaladas atinge o êxtase do absoluto...
Suas mãos suando canção embrasam o meu corpo, sua ave vulcão..
Incinerado sabor, presente na carne, quente...
Voluptuosos presentes de corpos fundidos, confundidos...
Meus seios borbulham gotas de amor ao toque sublime dos seus lábios...
Ah... murmuradas sequencias...
Ah... ritmadas frequências...
Sabor quântico de almas que buscam nos corpos intensos,
A presentificação plena do sempre,
Em gozo eterno , bem dentro, onde arranca a seiva,
Interminável de indissolúvel prazer,
Onde a vida se refaz em sussurros vivenciais..

7 de abr. de 2013

Fragância - poeminha Miliane Tahira

.

 
 
.. sinto a fragrancia natural do teu corpo incendiar cada pedaço da minha alma...
 
...fogo sagrado sem fim, és poesia e canção dentro de mim...
 
Miliane Tahira
 
 

2 de abr. de 2013

Parceiro da delícias - Geraldo Azevedo



Extase - poema de Miliane Tahira





Meu corpo movimenta-se em busca do seu toque, como um imã... combustão no caldeirão alquímico do nosso eterno amor..

Sua poesia e minha dança são elementos que se cruzam nesse caldeirão, transformando chumbo em ouro e co criando uma nova dimensão planetária....

suas linhas, palavras e gestos... transbordam emoção no meu sentir...

...transborda para além do meu/nosso corpo físico...

é luz.... chama viva que queima alimentando todo o universo!!!!!

Sinto seu corpo em comunhão com o meu, mesmo a distãncia..

 êxtase absoluto... que palavras não darão conta de descrever!!!!

Miliane Tahira

29 de abr. de 2011

Dança do ventre: Libido/Alquimia e Cura


 

 

Origem da expressão

A palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: "tan" e "tra". "Tan" significa expansão e "Tra" libertação.
Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na India Hinduista, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão)
Dispondo de imensos significados e interpretações, mais ou menos corretos, tais como teia, trama ou entretecido. Tantra pode ser interpretado, mais correctamente, como algo que é regulado por regras gerais.

Descrição

Tantra é uma filosofia hindu muito antiga cuja natureza comportamental mais lhe faz delinear, tendo por características: matriarcal, sensorial, naturalista e desrepressora, também é o Tantra um complexo sistema de descrição da realidade objetiva tornando-o assim uma ciência prática e aplicável, sendo a base do pensamento de um povo muito muito antigo que até hoje faz ecoar sua influência sobre a sociedade contemporânea.
Nas sociedades primitivas não-guerreiras, na qual a cultura não era centrada na guerra, a mulher era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos. Dai, a qualidade matriarcal. A partir dessa qualidade desdobra-se a qualidade sensorial ("a mãe dá à luz pelo seu ventre e alimenta o filho pelo seu seio") e a desrepressora, tendo que a mãe é sempre mais carinhosa e liberal que o pai, pelo facto de o filho ter nascido do seu corpo e a própria natureza, normalmente, ter o macho de mais agressivo.
Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outras).
Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras até se obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como samadhi.
No Tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento, para o Tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento, para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultra sons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação.

 

Os dois ramos

Segundo alguns autores o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita". Embora o objectivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem. A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supra-normais. A "mão direita" está ligada à canalização de toda a energia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como Vidya Tantra ou tantra do conhecimento e a mão esquerda como Avidya Tantra. O tantra correctamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano. Apesar disso o tantra é muitas vezes encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra. É bem conhecido o fato de que o Budismo Tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.

Influência no ocidente

Alega-se que o tantra teve forte influência no ocidente nas ciências ocultas. Diversos ramos do ocultismo contemporâneo, particularmente os que se dizem gnósticos ensinam alguma versão de "sexo sagrado", e são conhecidos pela expressão "espermo-gnósticos".
Muito da linguagem sexual encontrada na alquimia supostamente tem sua origem em tradições orientais relacionadas com o Tantra.
Particularmente a linha thelemita, fundada pelo polêmico mago e ocultista do início do século XX, Aleister Crowley, alega ter levado essa influência ao seu maior extremo e se apresenta como um tantra ocidentalizado.
Outra linha tântrica, que pode ser chamada de Tradição da Mão Direita, foi muito difundida, Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor. Para eles, o Tantra teria como "braço mágico" certas práticas que canalizariam a energia sexual para o Despertar da Consciência Espiritual.



Alquimia é transmutação. Pelo caminho da alquimia tântrica o homem procura voltar a ser a “imagem e semelhança de Deus”, como no princípio, isto é, andrógino. A androginia é a pedra filosofal da alquimia tântrica.

O segredo da androginia é que para ser criada precisa não só da união dos dois opostos mas, também, da inversão dos valores dos mesmos. A androginia pode ser alcançada fisicamente, no maituna, onde o orgasmo simultâneo produz um desdobramento do quinto corpo e fusiona os espíritos masculino e feminino, e pode ser, ainda, endócrina, psíquica e espiritual.Cada capítulo é uma sinalização nesse caminho.

O tantrismo é como caminhar em uma corda bamba que lhe faz super-homem, porque, se você não cair, está quase aprendendo a voar - adverte o mestre para o discípulo que decidir experimentar o caminho secreto da alquimia tântrica.






A teoria do Orgasmo - Reich

...a sexologia representada por nomes como Forel e Hirschfeld, se ocupava da sexualidade doente, quer dizer das perversões. Não havia qualquer pesquisa científica que permitisse construir uma teoria a respeito da função da sexualidade, capaz inclusive de preencher a lacuna deixada pela teoria econômico social de Marx, uma vez que nesta, a questão da família é em si mesma cheia de elementos emocionais e irracionais que nos remetem à moral e não à ciência natural. Reich procurou preencher essa lacuna em seus livros:“A Revolução Sexual” – 1945 e “A Psicologia de Massas do Fascismo” – 1946. Nesses livros fica claro que o problema nunca foi a forma da família ou a questão da procriação em si, mas o fato de que a família e a procriação tinham obscurecido desde o início a função do prazer biológico do animal humano. A potência orgástica, o cerne da posterior sociologia sexo econômica de Reich, só foi descoberta e descrita entre 1920 e 1927. Reich ainda esclarece: “Em suma, todos os esforços para compreender e reorganizar a sociedade operaram-se sem nenhum conhecimento do problema biosexual do animal humano”.
Quando Reich escreveu seu livro “A Função do orgasmo”, o primeiro deles, 1925, 1927 – tentava já utilizar a questão da sexualidade de modo sócio político. Entendia os problemas econômicos trazendo limitações externas que se somavam às inibições genitais já individualmente condicionadas, despotencializando assim os indivíduos, tornando-os enfraquecidos, sedentos por autoridade externa e vulneráveis ao sadismo de alguns grupos fascistas. “O sonho de uma melhor existência social permanece sendo apenas um sonho, exatamente porque acima de tudo, no plano individual, continua comprometida a capacidade de satisfação genital. A grande miséria em que o homem se acha enredado, é devido a sua couraça caracterológica, que dificulta que ele acesse suas grandes potencialidades uma vez que o afasta da sua natureza primária e portanto da necessidade de viver em uma sociedade que permita que ele realize seu sonho de uma vida socialmente realizadora, e ainda, fornece justificativas para essa fuga ...” Esclarece Reich em “O Éter, Deus e o Diabo” - 1949

A energia sexual é gerada no corpo e necessita liberar-se através da convulsão orgástica que envolve todo o organismo. Se esta liberação natural fica inibida, se produz um represamento dessa energia (estase), que dá origem a todo tipo de mecanismos neuróticos. A liberação dessa energia bloqueada através do restabelecimento da função do orgasmo é a meta terapêutica, já que desta forma se restabeleceria o fluxo natural da bioenergia e conseqüentemente se eliminaria a neurose.

Finalmente, gostaria de citar Reich ainda uma vez mais, no texto sobre o Funcionalismo Orgonômico, escrito por volta de 1947. “Tudo que fiz, foi realizar uma descoberta fundamental, superando o irresponsável porém compreensível acanhamento, no que se refere ao processo central da sexualidade. Eu meramente descobri a função do orgasmo, mas eu fiz isso de uma forma completa e consistente.”

Muito ainda haveria para falar sobre o que Reich chamou de “A Função do Orgasmo, mas talvez o mais importante seja dizer que essa pesquisa permitiu que outras portas fossem sendo abertas. Reich, além de descobrir a função terapêutica do orgasmo abriu caminho para uma consistente investigação científica que vai desce o funcionamento das amebas ao comportamento das galáxias.



Dança do ventre: Corpo, Mente e Alma em Movimento
Felipe Salles Xavier


 
Acredita-se que a dança, provavelmente, foi a primeira forma de expressão artística criada pelo homem a fim de imitar os animais, os vegetais e os elementos, ou seja, imitar tudo aquilo que o rodeava. Foi a maneira física de compreender o fluxo da vida e de se unir ao mundo, por isso a dança seria uma ferramenta que possibilitar-nos-ia ligar ao sagrado, principalmente nas culturas pré-históricas, já que no início tudo aquilo que nos cercava era tido como sagrado, sendo criado do mesmo útero, a terra.

A dança assume um papel importante no desenvolvimento humano, serviu para tentar explicar a nossa própria existência, o fato de nossos antepassados dançarem contribuiu em nosso desenvolvimento psicológico, experimentando sensações, emoções e sentimentos que eram liberados por essa arte.

A dança do ventre foi a primeira forma de expressão do feminino, ela surge em várias culturas. Há indícios de que possa ter surgido no antigo Egito por volta de 7.000 a.C., onde era realizada por sacerdotisas para rituais de fertilidade, e também existem pesquisadores que acreditam que ela tenha surgido com um povo mais antigo, os sumérios, proveniente de um ritual sagrado.

As atribuições artísticas só foram incorporadas com a invasão dos árabes ao território egípcio, quando os padrões da dança foram miscigenados, adicionando um caráter comemorativo, onde se celebra as formas de vida, a magia, o nascimento.

O verdadeiro nome dessa dança é Raks Sharki (dança do oriente), nos Estados Unidos é conhecida como Belly Dance (dança da barriga), e no Brasil é chamada de Dança do Ventre. É uma dança produzida por mulheres e para as mulheres, foi desenvolvida num tempo onde as deusas estavam vivas e presentes em forma de mito, num tempo onde a mulher e a serpente eram sagradas.
A serpente é um símbolo mítico ligado ao feminino, à fertilidade, a regeneração e a saúde. Ela também incorpora o ciclo da vida, enquanto Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, representa a evolução própria, a continuidade, a auto-fecundação, a proximidade entre o mundo superior e inferior, e ainda a idéia de eterno retorno.

Os mitos são a conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo, neles encontramos representações internas, transcendentes e coletivas, que servem para organizar o funcionamento psíquico e o comportamento, de acordo com o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, os mitos ilustram arquétipos, estes não podem ser descritos, entretanto podem ser "representados".
Segundo James A. Hall, os arquétipos são padrões universais, determinantes inatos da vida mental, é uma parte não individual da psique, e algo coletivo, resumindo, são tendências herdadas no inconsciente coletivo, que faz com que os indivíduos se comportem de forma semelhante aos ancestrais que passaram por situações parecidas.

A dança do ventre está intimamente ligada ao arquétipo da Grande Deusa-Mãe, que está relacionado à criação, ao nascimento, à fertilidade, àquilo que é puro e sagrado.

"Em cada ser humano existe, no mais profundo do seu mundo interior, a recordação da Mãe. Mãe como natureza, mãe como mulher que gerou e criou, mãe como símbolo de toda a poderosa força criadora individual e universal. São impressões psicológicas muito antigas, relacionadas com a experiência do nascimento e da morte. A imagem arquetípica de uma formidável energia que pariu tudo o que existe fica latente no plano inconsciente até que se ative pelas experiências da vida, ou seja, despertada por meios invocatórios, como na dança ritualística. Qualquer mulher, quando vai ser mãe, sofre certa estimulação inconsciente desse arquétipo. Na prática, tudo funciona para que ela se adapte da melhor maneira possível à tarefa de parir, usando o acervo humano de incontáveis experiências. O arquétipo da Grande Mãe é uma espécie de banco de dados de incontáveis experiências de concepção, gestação, parto e cuidados maternais registrados no inconsciente. Tudo é parte do amplo conjunto de memórias do processo evolutivo humano." (PENNA, 1993, p. 87 - 88) 
As mulheres que praticam essa dança entram numa espécie de viagem interior, onde ganham contato com vários símbolos, emoções e sensações ainda não experimentadas, surgem assim as imagens arquetípicas, na dança do ventre alguns desses arquétipos são: Materno, Odalisca, e o da Prostituta Sagrada, esses dois últimos estão associados à sensualidade, aos desejos e ao prazer.
O arquétipo Materno surge de diversas formas, mas sempre de uma simbologia própria, para diversos psicólogos junguianos, o arquétipo da Grande Deusa-Mãe é o próprio arquétipo Materno. A imagem da Grande Deusa-Mãe surge através da história das religiões, e se estende em várias imagens arquetípicas. Nos olhares da psicologia nos relacionamos com o arquétipo Materno através da própria mãe e a avó, da madrasta e a sogra, e outras mulheres com as quais nos sentimos bem, também com a igreja, a universidade, a cidade, a floresta, a lua, útero e outros. São todos esses e muitos mais os símbolos que tratam deste arquétipo.  Algumas características que esses arquétipos trazem são: a bondade, o feminino, a sabedoria, a espiritualidade, o cuidado, o instinto, a fertilidade, o oculto, o obscuro, o renascimento, o sedutor, o venenoso, o pavor e o mortal.

A Odalisca é uma dançarina que se utiliza de homens para satisfazer sua sexualidade, ela traz a sensualidade como forma de vida. É uma mulher comum que serve sexualmente no harém do rei, uma de suas técnicas de sedução é a dança do ventre. Esse arquétipo fala da relação com o próprio desejo. As mulheres em contato com ele vivem a idéia de serem vistas como deusas da beleza, da sensualidade e do prazer, o que é uma condição psicológica existencial, aonde vêem o sexo como uma forma de domínio pelo prazer, isso é uma necessidade de acabar com a própria impotência, inferioridade que tem inconscientemente.
A Prostituta Sagrada é uma fêmea humana que encarna as diversas deusas do amor, paixão e da fertilidade, algumas dessas são: Inana (Suméria), Istar (Babilônia), Ísis e Bastet (Egito), Astarte (Fenícia), Afrodite (Grécia) e Vênus (Roma).  Ela representa a sexualidade de forma divina, é a sexualidade feminina sendo reverenciada, são responsáveis pela felicidade sexual e pelo desejo. Ao rejeitá-la, traz insatisfação.
As mulheres tomam contato com essas informações do inconsciente através de visões e sonhos que aparecem depois de algum tempo do trabalho corporal que é feito. O ideal é que as praticantes dessa arte busquem uma psicoterapia junguiana para trabalhar os símbolos e entrar em contato com o seu verdadeiro eu.
Outro fator importante na dança do ventre é o trabalho bioenergético que se realiza, os movimentos trabalham alguns músculos, o que faz com que as couraças se dissolvam, liberando as emoções que no decorrer de nossas vidas ficam presas ao corpo.

Boyesen (1988) diz que as couraças são tensões que são geradas ao longo da vida, servem para proteger o indivíduo de experiências dolorosas e ameaçadoras.
Para os psicoterapeutas corporais, o corpo conta a história de vida de cada indivíduo, e o trabalho corporal é necessário para que ocorra a liberação de emoções "engarrafadas" no corpo e para um melhor fluxo de energia orgônica, o que nos proporciona uma melhor qualidade de vida.
Segundo Wilhelm Reich, médico e psicanalista o Orgone é uma energia universal, sem massa e nem inércia, que está em tudo o que é vivo, e pode ser acumulado no corpo através da respiração profunda.
Na dança do ventre é fundamental o trabalho com muitos músculos e com respiração profunda, o que é base no trabalho corporal, os seus movimentos atuam diretamente nos desbloqueios das couraças e no acúmulo de orgone.
Nessa abordagem levamos em conta que o corpo é um local privilegiado da subjetividade de cada um, e deve ser respeitado como tal.
A dança do ventre religa as suas praticantes ao feminino, ao sentimental, ao puro, ao sagrado, ao prazeroso, nos remete a tudo aquilo que é essencial e a sociedade atual não tem tempo para desfrutar, uma construção humana primordial. Nessa jornada do auto-conhecimento entramos num processo de auto-cura onde há aumento da auto-estima, sensualidade, sexualidade, do gosto pela vida e melhor fluxo de nossas próprias idéias.

Então com olhares de duas abordagens psicológicas diferentes, podemos ver que trabalham excelentemente bem juntas, um trabalho corporal e analítico, nos faz entrar em contato com a nossa verdade, com nossos símbolos, com o sagrado e com nosso corpo, é a aproximação de corpo, mente e alma.
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