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5 de nov. de 2022

Átomos cantam

 Quando os átomos dialogam

A canção para alémdo tempo

O corpo acorda 

Percorre, faz teias

Cumplicidade 

Desperta nas veias...


Miliane Tahira.



5 de dez. de 2021

Autogestaçâo poema de Miliane Tahira

 Autogestação



AUTO Concepção 

Em si nasce

A si fecunda 

E se.forma

E se acolhe...


Nutre-se de sangue

Veias

Experiências

Existências

Ancestralidade

Verdade


Expande-se

Desenrola-se

Desnuda-se

Desenlata 

Descasca

Destrincha

Desvela

Revela


Re vela

Vela

Ascende

Aquece

Ilumina

Transcende 


Vela

Navega

A deriva

Partida

Sentida

Sentido

Da Vida


Parto virá 

Natural

No tempo

Sedento

Do sonho

Real

Afinal


Miliane Tahira

19 de nov. de 2021

Eclipse nosso -poema Miliane Tahira

 



Largo- me

Abraço-te

Sou...

Casa verdadeira

Cria

Cocria!


Espaços 

Tempos 

Dimensões 

Infinitude

Plenitude

Constelações!


Miliane Tahira


23 de out. de 2021

VIDAS de ser mulher


 Em tantas vidas vivi

Em tantas senti

A essência de ser mulher


Íntegro as faces da Lua.

Sinto vibrações moleculares 

Transmuto guerras nucleares 

Fora e dentro de mim!


Sou cíclica

Sinto o nascer do sol 

E o frescor de cada brisa

Sussurando verdades

Sobre cada forma de vida.


Sou terra e mar

Pedra e luar

Sentimento e razão!

Minhas lágrimas geram rios

Minha pele calafrios


Minha vida, a canção 

Traduzida em meu corpo

Em oração 

E nos meus olhos..imensidão!


Miliane Tahira.


( TBT de uma dança realizada ao final de um lindo projeto voltado para todas as Mulheres. Reconhecer nossa história é fundamental.

"Percurso feminino ao longo da historia: a dança essencial de ser mulher").


https://youtu.be/xe9hBypTWpM


(Fotografia Fabíola Adans/

Maquiagem e figurino: San Rocha)

18 de out. de 2021

Para escrever uma história- poema de Miliane Tahira


 

*Para escrever história*


O que é preciso para escrever história?

De que são compostas as nossas memórias?

Imaginação?

Imagem e ação?

Papel?

Pergaminho?

Canetas?

Penas?

Cabelos ao vento?

Sentimento!


Memória nasce no aqui

E vem do acolá...


Faz festa

Tem chão 

Traz bordas

Tem cheiro 

Tem cor

Tem gosto

Tem flor!


Tem céu 

Tem Lua

Tem tato

Flutua!


Tem sopro

Tem vento

Tem vida

Navega!


Tem mar

Tem sol

Tem brisa

Escorrega!


Tem gente

Tem fauna

Tem flora

Tem glória!


Tem caminhos

Tem espinhos

Tem fluidez

Tem lucidez

Tem embriaguez!


Inspiração!

Piração?

Por ação? 


Por vida!


Vivida

Mantida

Querida!


Por amor!

Fraterno

Singelo

Seja ele qual for!


A escrita nasce da Vida

Permitida

Pactuada

Consentida!


Miliane Tahira

8 de nov. de 2016

Meu querer



O meu querer
invade qualquer espaço
dele nunca me desfaço
eu bordo a ponte do viver.
Renas Barreto

Poderosa Liberdade da Mente
Podemos tocar o que quisermos
Com nossas mãos de Energia
Podemos abraçar quem quisermos
Com nossos braços de Carinho
Podemos amar quem quisermos
Com nosso Coração...de Luz.
Rosiana Ni Carvalho

Amor Sublime - Buda



E a beleza infinita que a tudo perscruta, ao reconhecer tuas asas, derramará sobre ti o óleo sagrado que purifica, perfuma e mantém vivo o Amor Sublime...
Buda

4 de nov. de 2016

Coração de amor infinito - texto de Miliane Tahira



Meu coração é um poço infinito de amor universal... Só distribuo o que existe em mim, por isso não me verá distribuir outra coisa..
Amor,
Liberdade,
Gratidão,
Vida,
Luz,
Paz,
Mesmo que me atire uma pedra, eu a transformarei em flor, pois percebo que a única coisa que sua alma quer é amor..
Boa noite para todas as belas almas que aqui me lêem,
Acreditem na beleza e na liberdade existente em seus corações...

31 de out. de 2016

Amor sentimento mais puro



O amor é o sentimento mais puro e grandioso que existe, através dele tudo se modifica, tudo se transforma.
A tristeza através do amor dá passagem ao sorriso..
A mágoa através do amor dá passagem ao perdão verdadeiro…
A doença através do amor dá passagem para que a cura venha…
Só a força do amor pode levantar aquele que se encontra deitado sem força para levantar…
Só a força do amor pode fazer caminhar aquele que não tinha mais pernas para andar…
Amar incondicionalmente significa renunciar defeitos e esculpir as virtudes pautadas pelo esforço, dedicação e muita coragem.
Apegue-se ao amor em tudo que for necessário na vida, pois só ele é capaz de dar a reação necessária àquele que precisa de algo maior para continuar.
O amor cura e o amor constrói.

(Autor Desconhecido)

25 de out. de 2016

Encanto



"Quero te dar chuva de flores pela manhã. E quando quiseres podes vir colher sorrisos direto do quintal da minha alma. Nunca há de te faltar afeto. E se murchar tua alegria, podes vir buscar uma muda no meu jardim para que a tua floresça outra vez. Se te faltar o vento, eu te sopro carinho. E se te faltarem as cores do dia, a gente pinta tudinho com tons de felicidade. Lá do alto, não te deixarei olhar para baixo e mesmo que escorregues de uma nuvem molhada, eu não te soltarei a mão, não te deixarei cair."

Caio Fernando Abreu

O Amor



O Amor é Luz, dado que ilumina aquele que dá e o que recebe.
O Amor é gravidade, porque faz com que as pessoas se sintam atraídas umas pelas outras.
O Amor é potência, pois multiplica (potencia) o melhor que temos, permitindo assim que a humanidade não se extinga em seu egoísmo cego.
O Amor revela e desvela.
Por amor, vivemos e morremos.
Albert Einstein

Se eu escolher amar uma mulher desperta! - Sobre relacionar-se e transformar-se

http://padmashanti.blogspot.com.br/2015/12/se-escolher-amar-uma-mulher-desperta.html

15 de out. de 2016

A cura e o Amor

Foi quando percebi 
Que não são os braços ou as mãos que alcançam
Nem as palavras
São os sons
A vibração
A intenção
É o som do coração 
Que vai em qualquer lugar.

6 de out. de 2016

Quando há amor, o ou(t)ro é revelado em nós.
A química atrai os corpos. Secretamente pelo olfato, explicitamente pela delicadeza do toque ou pelo encaixe e entrelaçamento da forma. É uma magia que se inicia na aproximação e se consolida no entrelaçamento. Num processo que ultrapassa a nossa razão.
Essa química é exatamente as forças da natureza atuando em nós, independente da nossa vontade consciente. Química é importante, mas um relacionamento não se sustenta apenas na química. Não se sustenta apenas nessa atração inconsciente. Todo relacionamento é uma construção, uma arte diária, uma Alquimia constante de descoberta. E toda Alquimia consiste em dois processos fundamentais. Um deles é desvendar as forças da natureza, ao mesmo tempo reconhecendo que por mais conhecimento que tenhamos dela, o mundo será sempre um mistério para nós. Ou outro é, a partir do entendimento e da magia das forças das Natureza, chegar ao elixir da Vida.
Aplicando esses dois caminhos na arte do relacionamento, é preciso que saibamos que nós somos um enigma para nós mesmos e que o outro, portanto, também sempre será um enigma para nós. E há uma beleza incrível nesse reconhecimento. A beleza da sedução e da descoberta como possibilidade diária. Cada dia é um mistério para nós, por mais que nossos hábitos tentem nos fixar no tempo e mostrar que não há novidades. Sempre há nascimentos, transformações, revelações estonteantes em um dia. O contato com a natureza nos evidencia toda essa beleza num desabrochar de uma flor, num pôr-do-sol, num nascer da lua, nos movimentos do mar, que nunca são iguais e nunca se repetem.
A Vida será um grande mistério sempre parcialmente revelado para nós e nos surpreenderá se nosso olhar não se estagnar. O outro será sempre um mistério parcialmente revelado para nós se nosso coração e a nossa mente não se renderem aos hábitos. Achar que entendeu tudo o que se deveria entender e que já viveu tudo o que poderia viver na Vida é uma equivocação comum que muitos cometem e que nos tira o encanto que ela constantemente nos oferece. Assim como achar que entendeu o outro e que não há nada mais nele a ser revelado nos faz perder a visão de que um relacionamento é uma arte de sedução, de abertura, de construção e de desconstrução diária. O outro será sempre um desdobramento da vida em nossa vida se assim permitirmos e se tivermos o espírito e a presença mútua para assim cultivar uma relação.
Mas a arte da Alquimia não nos falava apenas de mistérios e suas revelações. A arte da alquimia consiste em descobrir, em meio às transformações da Vida, o elixir da imortalidade, o soma. Esse néctar é a substância mais sutil e a mais sublime da Criação. É a fonte da juventude, pois é em si mesma a origem de tudo o que nasce e aquilo que permeia tudo o que existe. Esse processo simbolicamente é associado à transformação do chumbo em ouro. Para os Alquimistas, o ouro já está no chumbo. Por processos alquímicos, o excessos são retirados e o outro é revelado. Esse ouro é o amor, a essência de cada um de nós. Aquilo que todos buscamos em qualquer relação é o encontro amoroso.
Quando há amor, o ou(t)ro é revelado em nós. O que buscamos através do outro é o Amor, que é a Unidade da Vida, a sensação de não separação. O Amor é o que nos mantém unidos e é a própria união, é quando nos encantamos pelo outro, quando até mesmo o olhar do outro nos acalma, e através dele nos reconhecemos. Num relacionamento, é pela aceitação incondicional do outro que afrouxamos as nossas defesas e nos aceitamos completamente. Nessa aceitação, o amor se revela como a fonte do que buscávamos. Por isso ele se basta, temos a sensação de que encontramos o tesouro da Vida. Esse Amor é a fonte de nós mesmos e a essência fundamental do outro.
Esse é o passo final da Alquimia, mas não deixa de ser um processo constante, uma arte de olhar. Quando mantemos esse reconhecimento da natureza essencial do outro como não diferente da nossa, criamos um espaço para a compaixão e para a aceitação das suas diferenças e das suas sombras quando elas se revelam aos nossos olhares. O relacionamento deixa de ser uma janela através da qual vemos algo distante de nós, para se tornar um espelho, uma oportunidade de nos enxergarmos através do outro. Seja a nossa luz amorosa ou as nossas sombras. A arte e o desafio constante é ver através das sombras a luz que sempre brilha. Através do metal mais pesado, do chumbo, a natureza pura e constante de brilho que somos, o ouro. Um relacionamento que promove o amor e o crescimento é o relacionamento em que, neste espelhamento, a arte se torna reconhecer as sombras mas exaltar a luz. E esse processo não se dá quimicamente, ou seja, inconscientemente, esse é um caminho de construção artística, uma Alquimia.

Tales Nunes

25 de set. de 2016

Análise sociológica do Amor nos tempos atuais - Beatriz Leite

Não é tão recente, nas redes sociais, esse fenômeno do compartilhamento de vídeos e entrevistas do Bauman falando sobre amor líquido. Parece que, de uns tempos pra cá, o povo decidiu que todas as frustrações amorosas que vivem são culpa desse novo tipo de amor frágil, esse vilão da vida afetiva contemporânea. Mas será que é isso mesmo?
Vamos voltar umas casas e definir as coisas: Zygmunt Bauman é um senhor sociólogo polonês que fuma cachimbo, escreve um monte de livros e chama os tempos atuais que vivemos de modernidade líquida. Essa liquidez à qual o Bauman se refere é uma metáfora para como tudo hoje em dia, graças à globalização e ao uso das tecnologias, é muito rápido e fácil, fazendo com que seja mais fácil descartar as coisas. Isso, segundo o Bauman, é transportado para as relações , que seriam frágeis e pouco duradouras, pois, em tese, vivemos sempre em busca de algo melhor e descartamos pessoas como se fossem mercadorias. (Isso é um resumão, ok? Se quiser se inteirar melhor, dá uma olhada nos livros dele.)
Não estou questionando a genialidade do nosso querido sociólogo polonês, mas a maneira como ele fala do amor sempre me incomodou um pouco. É mesmo tudo frágil e descartável assim? Somos mesmos consumidores uns dos outros e tratamos uns aos outros como mercadorias? E é só isso que o cenário contemporâneo tem pra gente no que diz respeito às relações amorosas? Desculpa aí, Bauman, mas acho que você está sendo pessimista demais e talvez um pouquinho preguiçoso (roleta do unfollow).

Uma visão mais otimista sobre o mesmo tema

Em A Transformação da Intimidade, outro sociólogo, Anthony Giddens, fala sobre a mesma questão que Bauman trata em Amor Líquido, isto é, as mudanças nas relações amorosas, só que ele a analisa de maneira diferente. Ambos reconhecem as mudanças sociais que marcam o cenário contemporâneo pela rapidez e pela fluidez e ambos entendem que tais características influenciam diretamente as relações interpessoais. As interpretações dos dois diferem quanto aos aspectos positivos e negativos dessa influência nas relações. Enquanto Giddens celebra a fluidez como uma maneira de libertação, chamando à atenção as múltiplas possibilidades de se relacionar afetiva e sexualmente e à facilidade da busca por algo melhor em casos de insatisfação, Bauman associa essa fluidez a uma espécie de descartabilidade das relações (e, consequentemente, dos indivíduos envolvidos nela) e a um eterno hedonismo.
Essa crítica que o Bauman faz às relações contemporâneas é tão amplamente aceita, que tem sido tão comum gente falando sobre isso quanto encontrar textos sobre o que aconteceu com a geração Y, essa que, supostamente, não trabalha nem constrói vínculos. Eu não sei vocês, mas eu estou de saco cheio e acho que podemos ir além desses lugares comuns e fazer análises mais profundas. Quando se fala de como a geração Y se comporta e de como as pessoas lidam com as relações amorosas agora, me parece que se parte necessariamente de uma romantização do passado. Chamo isso de “ilusão do saudosismo”, essa prática comum de esquecer o que teve de ruim, exaltar o que passou e achar que o agora é a pior época que já existiu.

Sobre a ilusão do saudosismo

Ao referir-se às relações de hoje em dia como vazias de significado, muito rápidas e facilmente descartadas em oposição às relações duradouras de antigamente, é preciso levar em conta os motivos pelos quais essas relações antigas duravam tanto tempo. A crítica à rapidez das relações parece partir de um pressuposto de que, antes, as pessoas se esforçavam mais para manter uma relação e que esse esforço se dava graças ao amor, mais valorizado em outros tempos.
Essa perspectiva me parece limitada e ilusória, pois desconsidera que muitas relações eram duradouras simplesmente porque o divórcio não era bem visto pelas sociedades, porque as mulheres não tinham possibilidade de independência financeira e porque os discursos de amor romântico (um amor que deveria durar para sempre) eram propagados por interesses econômicos e religiosos justamente para estimular os casais a permanecerem juntos. Desse modo, muitos casais permaneciam juntos por toda a vida não porque se amavam, mas porque sentiam não ter outra opção.

E o amor tem mesmo que durar pra sempre?

Por mais que hoje em dia outros discursos sobre amor se façam presentes nas
sociedades contemporâneas, ainda circulam também discursos de que o amor — se for mesmo amor — , deverá durar para sempre. Entendo esse discurso como potencialmente nocivo aos indivíduos em uma relação, pois ele pressupõe que o amor seja capaz de suportar tudo e passar por uma série de provações. Quando se acredita que o amor suporta tudo e precisa de provas, acredita-se também que a dificuldade é natural a esse sentimento. É essa crença, que muitos indivíduos compartilham, que pode levar a relacionamentos emocionalmente abusivos, pois essa dificuldade não só seria intrínseca às relações amorosas, como seria também parte dos testes pelos quais um amor passa.
Outro aspecto que considero nocivo no discurso de amor como necessariamente duradouro é que, mesmo que não chegue a configurar uma relação abusiva, uma relação insatisfatória aos indivíduos envolvidos pode ser mantida por anos, privando esses indivíduos de experiências mais proveitosas. A crença de que pode haver algo ou alguém melhor e escolher terminar um relacionamento amoroso para ir em busca disso
não é necessariamente hedonista como levantado por Bauman; ela pode, na verdade, ser uma maneira de libertar indivíduos que estariam presos a uma relação insatisfatória simplesmente por não terem coragem ou não acharem possível dar um fim a ela.
 Enfatizo, então, novamente, que a duração prolongada de um relacionamento amoroso está longe de significar uma prova de que ele é baseado em amor verdadeiro, tampouco significa que os indivíduos nesse relacionamento estão felizes e satisfeitos.

O regime amoroso antigo X o regime amoroso atual

Os discursos mais comuns que observo em textos de internet e conversas por aí sobre a insatisfação que muitas pessoas sentem com suas próprias vidas afetivas hoje em dia são uma comparação entre como o regime amoroso era e como ele é agora. O atual parece indicar amores rápidos (imediatismo), convenientes (voltados para o utilitarismo da relação), sazonais, práticos, provisórios, descartáveis, substituíveis, impulsivos ou marcados por uma euforia momentânea, e passíveis de traição. Enquanto isso, o amor de antigamente seria algo mais lento, emocional, cuidadoso, companheiro, permanente ou eterno, confiante, maduro, capaz de estabelecer vínculo duradouro, marcado por entrega emocional, completude, confiança e conectividade entre os parceiros, configurando algo mágico. Essa é uma oposição muito clara entre o que se chama de amor líquido e o que se entende por amor romântico.
Essa exaltação do amor romântico não é de se espantar, afinal, ele é vendido o tempo todo em filmes e na literatura. Nada vende mais do que amor romântico — observe os best-sellers. O que eu quero argumentar aqui é que esse outro amor que a gente vive hoje em dia não é necessariamente o líquido. Aquele outro sociólogo, o Giddens, fala sobre amor confluente. O grande lance do amor confluente é que ele é mais pautado no real, afastando-se daquela ideia do amor romântico de encontrar alguém que te complete. Enquanto o amor romântico prevê sacrifícios, o amor confluente é mais livre e mais maleável às contingências. Isso de ser livre é frequentemente confundido com não se importar, com não ter carinho, afeto, cuidado. Volto a chamar atenção para a ilusão do saudosismo: as relações de antigamente não necessariamente tinham todas essas características das quais se sente falta na atualidade.
Outra vantagem sobre a qual Giddens comenta é o que ele chama desexualidade plástica, ou seja, a possibilidade cada vez maior que há hoje em dia de se relacionar sexualmente com diversos parceiros sem a necessidade de manter um vínculo emocional duradouro. Pode ser que isso não seja a sua praia, mas não é lindo ter a opção?
Querendo ou não, o amor romântico é necessariamente um amor idealizado, que simplesmente não é compatível com a vida contemporânea. Isso não quer dizer que amor não exista mais e que as pessoas são frias, mas o tipo de amor é outro porque as demandas são outras. E não há nada de errado nisso.

E o que isso tudo tem a ver com a geração Y?

Eu gosto muito do que a Débora Nisenbaum fala no texto A incrível geração que está cagando para os seus protocolos sociais: não é que a geração Y (e nós que vivemos mais ou menos ao redor dela) não saiba amar ou criar vínculos, é que ela não se importa tanto em seguir protocolos sociais. O amor romântico de antigamente era propagado justamente para manter os protocolos sociais de casamento que dura pra sempre, por exemplo. Se você vai enxergar essa liberdade de escolha como amor líquido ou amor confluente, é uma opção sua.
Mas vamos pensar aqui comigo. Você realmente acha que era o amor da sua vida aquele cara que não se deu nem ao trabalho de terminar com você direito e fez o famoso ghosting? Você acha mesmo que aquele relacionamento meia-boca que você tinha devia ter durado pra sempre porque a outra pessoa te amava muito? Você acha que uma pessoa que tem a autoestima destruída pelo/a namorado/a deve segurar firme porque amor é assim mesmo, passa por inúmeras dificuldades? Você acha que vale a pena apanhar por amor? Você acha que deve investir mais no cara que você achou muito, mas muito chato? Você acha que deve manter seu casamento mesmo quando vocês já não se gostam mais?
Focar tanto no amor líquido e na suposta fragilidade das relações me soa como uma tremenda ingratidão ao mundo de possibilidades que temos hoje, porque hoje temos poder de escolha. Tem coisa melhor do que poder escolher? Eu não consigo pensar em privilégio maior do que esse. Amor não é ficar preso a uma relação, amor não é ficar junto pra sempre, amor não é passar por uma série de dificuldades até chegar a um final feliz — pelo que observo, quando se passa por uma série de dificuldades, o que não tem é final feliz.
Os tempos de hoje não se resumem a um amontoado de gente querendo amor mas só conseguindo relações frágeis, da mesma maneira que, antigamente, as relações não eram mais felizes e satisfatórias só porque duravam mais. Vivemos em uma época que nos permite escolher se queremos ou não manter uma relação e que não nos culpa (ou nos culpa cada vez menos) quando decidimos terminá-la. Acredito que isso, na verdade, dá até mais significado às relações que se mantêm, pois havendo sempre a possibilidade de ir embora, ficar é de fato uma escolha que se faz repetidas vezes. A geração Y e nós que convivemos com ela sabemos sim amar e buscamos isso — acho que o que existe é uma confusão quanto ao que é amor.
Beatriz Leite

26 de ago. de 2016

Oração Celta do Amor

Oração Celta do Amor



"Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo...
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!"

26 de jul. de 2016

Ato de amor = dança + música

Dançar é um ato de amor
Música e a alma se encontram
Se fundem e se (con)fundem
Os movimentos trans(bordam)
Desenhos ancestrais
Ritmos se cadenciam no corpo
Melodias são tecidas em cada acorde..
Acordando os sentidos
Histórias passadas rememoradas
(Re)construindo o presente
Aproximando sonhos
Em doces embalos existenciais!


Miliane Tahira​

18 de jun. de 2016

Condição de Plenitude: O nada, o zero, o branco, o negro e o vazio


Condição de Plenitude: O nada, o zero, o branco, o negro e o vazio


Na nossa sociedade a cultura do ter se sobrepõe a cultura do ser
Quantos (qualquer coisa) você tem, entra na lugar da substância..
Necessidade de cores, de sons, de formas e de excesso de sabores

E a solidão persiste porque a quantidade acaba
Ilusoriamente tentam preenche-la com mais quantidades
Que acabam....

Ininterruptamente persegue-se o imperseguível
O preenchimento da insubstância do ser que não se conhece, não se vasculha, não se contém no espaço de si mesmo...

O vazio é o espaço onde todas as coisas pertencem,
O branco é a união de todas as cores
O negro a ausência de todas elas
O nada contem a presença do tudo, mas um tudo em perfeita capacidade de infinitas possibilidades

Por não ser um conjunto fechado todas estas categorias guardam um espaço de compreensão
Um espaço do não julgamento
Onde a plenitude reside
Onde a paz já se faz pronta
Posta está!

Excesso de cores polui a visão
Excesso de sons obstrui a escuta
Excesso de formas ofusca o olhar
Excesso de sabores desarmoniza o paladar..

Aprecie a serenidade das cores e não o acúmulo delas
Escute e reconheça o ritmo interno do seu coração e coloque suas mãos para materializar a vida fora de ti.
Reconheça a delicadeza das formas
A boniteza das coisas
O sabor de um patê de atum com cream craker no momento certo pode ser muito mais saboroso do que um prato feito com infinitos e sofisticados ingredientes se for feito pelas mãos certas no lugar e com a pessoa certa!

Aprender a apreciar o nada! O seu espaço interno de conciliação com seu si mesmo!

Ah, e o zero...
É o mais belo número dentre todos, pois ele representa que ali, onde aparentemente nenhuma quantidade há,
É exatamente onde tudo está aguardando para ser..

Espaço absoluto
Espaço de amor total
Espaço de comunhão
Espaço de construção
Espaço de encontro
Espaço de Oração
Espaço de infinitude
Espaço do aqui e agora
Espaço o sempre!!!!

Miliane Tahira

12 de jun. de 2016

A arte de fazer amor

Quem quer aprender a fazer amor
 
 
Quem quer aprender a fazer amor precisa se esquecer um pouco de sexo.
Precisa se esquecer até mesmo do outro. Deve estar em si, antes de tudo.
E entender-se com suas raízes selvagens.
E deve saber, antes, que o amor rege o mundo.
Mesmo quando se esquecem dele.
Quem quer aprender a fazer amor deve ser capaz de olhar nos olhos.
E no olhar expressar, receber, trocar. Até tocar.
Precisa perceber o quanto as almas podem comungar, ainda que os corpos não se conheçam.
Deve, ao lado do seu bem – sim, pra fazer amor tem que querer bem –, abrir espaço para que uma canção de derramada beleza os transporte para reinos de ternura.
Precisa conhecer o próprio corpo e ter a bondade de lhe conceder prazer. Precisa investigar o prazer do outro e saber que tudo está muito bem se tiver prazer em lhe provocar prazer.
Quem quer aprender a fazer amor também deve ser capaz de se aninhar no corpo do seu par e ficar quietinho. E deve ser livre o suficiente para poder chorar de amor.
Nunca pode se considerar mestre. Porque os verdadeiros mestres sabem que são aprendizes sempre.
Quem quer aprender a fazer amor tem que ser criança no coração e amar a brincadeira.
E tem quer ter tempo, muito tempo, para fazer amor.
Porque a cama a gente prepara muito antes de deitar.
 
Onides Bonaccorsi Queiroz