23 de jan. de 2011

Miliane Tahira apresentou-se na 3 Noite Kerzy

Dia 21/01/2011 aconteceu às 20h, no Teatro Caballeros de Santiago, a 3 Noite Kerzy.
Evento promovido por Priscilla Belle trouxe no seu elenco inúmeros artistas locais e nacionais.



Grupo Tarhira:
  • Miliane Tahira
  • Michele Ramah
  • Lory Rabie




Nacionais:
  • Melissa(Mel) - Curitiba
  • Suellem -São Paulo
  • Flávia Kahyna - Aracajú
Regionais:

  • Priscilla Belle -Anfitriã
  • Cia Priscilla Belle
  • Beth Soares
  • Cia Beth Soares
  • Mariana Queirós
  • Cris Azevêdo
  • Lis de Castro
  • Zahra
  • Karina Oliveira
O evento foi lindo... a proposta de integrar profissionais com estilos diferentes demonstra que o cenário baiano possibilita fazer a dança uma manifetação de integração do feminino. Parabéns a todos os artistas, a Priscilla por promover e ao público que nos dá a temperatura da cena!!!!!

Abra-se para um novo universo - frequente  eventos de dança do ventre...

22 de jan. de 2011

            AFRODITE

            DEUSA ALQUÍMICA / DEUSA DO AMOR
Por: Miliane Tahira



Cultuada como uma presença “Sensual” era considerada uma “Deusa Áurea” pelos gregos antigos,
estando sempre relacionada às artes da escultura, poesia e música; ou tudo em que se configure a
presença do belo.

Atualmente estaria relacionada à indústria da moda. Conhecida pelo nome romano de Vênus, tal Deusa
caracterizaria conceitos estéticos e, se for desvinculada de outros conceitos, pode se tornar fútil e promíscua.
Por enfatizar o lado sedutor, mulheres com esse arquétipo tendem a afastar pessoas do sexo feminino,
ameaçadas por este “poder” e atrair homens que a queiram como posição de “STATUS”, pois seu mistério
e exotismo tornam-na extremamente atraente.Profissionalmente, tais mulheres são atraídas para a área artística,
de moda, relações públicas, publicidade ou Hotess.

É perceptível o seu poder de exploração e controle sobre o sexo masculino. No entanto, estará muitas
vezes fadada a condição da “outra”.Apesar de ser vinculada, inúmeras vezes, a energia breve de uma
relação passageira, por ser genuinamente sábia nos quesitos do amor, muitas vezes, torna-se uma excelente
amiga/confidente de seus amantes, promovendo um acesso a um caminho interior trazendo questionamentos,
buscas e muitas vezes, transformações positivas para quem está sob seu convívio.
Na antiguidade temos registros das hetairas ou “prostitutas” hoje temos nas queixas japonesas a
personificação deste papel. Assumem uma função na psique masculina capaz de despertar seu fluxo criativo,
inspirando-o de diversas formas, trazendo à tona a sua “ANIMA”.
Ai está a faceta feminina condenada por diversas religiões. A mulher tentadora, alquímica,capaz de abalar
a estabilidade de um homem ou uma nação, de rever seus conceitos, de vivenciar seus desejos.

GÊNESE:

Afrodite nasce dos órgãos genitais decepados de Ouranos, o pai celeste.
Pode-se traduzir simbolicamente, que a deusa guarda em si, uma postura fálica, através desua
busca sensual pela falta original da qual foi oriunda!
“Cronos", filho de Gaia (Mãe Terra), lançou no oceano os órgãos genitais arrancados de
“Ouranos”, dando nascimento a Afrodite, que emergiu da espuma marítima.
Historicamente é considerada descendente de Istar ou Inana (Deusa Sumeriana), que
era reverenciada até aproximadamente 3000 e 1800 A.C.,através de seus templos de amor,
sendo servida por sacerdotes (Quadisth).

A felicidade é essencial para a manutenção patriarcado, já que a maternidade é uma certeza e a
paternidade uma hipótese. Ora, sem a certeza da felicidade não pode se manter uma linhagem patriarcal,
voltaríamos ao matriarcado ameaçando a igreja e o estado.
Por isso, tais instituições colocam a mulher tipo “Afrodite”, á sombra da coletividade, são mulheres desejadas
e ao mesmo tempo desprezadas. Ótimas amantes, mas condenáveis como esposas.
Está explicada a divisão sagrado x profano, outrora uma única característica – ameaça ao poder masculino,
retirando toda possibilidade de dúvidas quanto à linhagem.
Suprime-se a “Grande Mãe”, esposa (Hera) x amante x (Afrodite) mãe (Deméter).
A igreja católica passa a imagem do corpo como vergonhoso/ imaculado:
mulher = terra =sujeira = sexo =pecado.
Os islâmicos colocam a mulher na condição de tentadora, vitimizando os homens.A idade média suprime
as sacerdotisas, queimando-as na fogueira, calando o amor com o medo e faz aparecer o culto
“A Virgem Maria”, purificada enquanto mãe sofredora, destituída de toda e qualquer sexualidade.
O amor é instrumento de transformação, suprimindo-o ou marginalizando a mulher tipo “Afrodite” estanca-se
qualquer possibilidade de transformação social, mantém-se a política ditatorial através do medo.

Amor: Alquimia:

Como acontece o processo de auto-descoberta através do amor?
Como o amor libera a energia criativa?
Com a paixão projeta-se no ser amado conteúdos inconscientes e desta forma podem ser vistos e elaborados
 para que a relação se mantenha.
Como o amor faz emergir conteúdos inconscientes, tira os apaixonados da letargia e promove movimento
psíquico, liberando, portanto, a energia criativa.

Revendo o papel de Afrodite

Respeitar e amar seu próprio corpo é a forma da mulher moderna trazer o papel de Afrodite longe
das exigências da mídia.
Os homens também precisam reformular sua Afrodite, percebendo a mulher como desejável dentro do
estilo próprio e singular da mesma, e não um ideal utópico.
A natureza de Afrodite é sensorial, e deve ser vivenciada dessa maneira, seja no cheiro de um perfume,
no toque de uma roupa macia sobre a pele, a contemplação do belo em uma extensão sensível e singular,
nunca deve ser aprisionada por modelos criados pela mídia.
Com a proximidade com o próprio corpo, começamos a sentir; trabalhando uma abertura de canais sutis.
Desta forma promove um encontro consigo mesma e com toda beleza do infinito universo existente em cada
um de nós. Trabalhando desta forma atinge-se um maior grau de tolerância e paciência com o mundo, pois
percebe-se o aqui e agora de tudo, inclusive de nós mesmos!

21 de jan. de 2011

Hera - Estudando as Deusas Gregas e seu correspondente simbólico no inconsciente feminino

Hera: A representação do poder, estabilidade e manutenção.
                                                        
  (por: Miliane Tahira)

Mitologia:

Rainha do Olimpo, por ser esposa de Zeus e ajudá-lo a governar os outros Deuses, Hera é uma Deusa extremamente respeitada, mas nem sempre muito entendida...
No hino de Homero, por exemplo, é retratada como uma esposa ciumenta e intriguenta...
Isso provém do fato de Zeus ter tido inúmeros relacionamentos amorosos, com Deusas e mortais, constituindo inclusive proles fora do matrimônio sagrado.
O único Deus oriundo deste casamento oficial foi Ares, Deus da guerra.

Representação simbólica e retratação sociológica:
-Reconhecendo Hera em si...

Como reconhecer a simbologia desta Deusa dentro e fora de si mesmo?
Todos os seres humanos tem dentro de si o potencial de ”poder”, o reconhecimento legítimo de que a capacidade de se colocar diante de tudo e todos de forma auto confiante é perfeitamente possível.
Embora na mitologia Hera revelasse um casamento infeliz, a mulher sob este arquétipo é por demasia esposa, muitas vezes em detrimento das outras funções; é comum encontrar mulheres regidas por essa Deusa em comitês de planejamento, recepções, ou qualquer ambiente em que prevaleça o status...

O modelo de parceiro buscado por elas é de homens cuja posição social elas possam se orgulhar e ajuda-los a ter cada vez mais ascensão, sentindo-se mais confortável em círculos sociais em que prevaleçam sua posição de dignidade!  Embora adore encontros familiares onde esteja rodeada por filhos e netos, o amor destes é secundário, exigindo, entretanto, respeito e reverência.

Mulheres com esta postura não precisam necessariamente nascer em famílias nobres para essa vivência hierarquizada e aristocrática, mesmo sendo originária de família humilde estará sempre no comando!

Sociologicamente, Hera representa o modelo de família patriarcal: Zeus é o pai, o chefe e provedor, vivendo conflitos constantes com sua esposa.

Segundo Themis, em A study of origins of greek religion, “Zeus abandona a verdadeira esposa-sombra, Dione(uma titanesa), (...) , em Olímpia, casa-se com Hera, uma filha do lugar. No Olimpo, Hera parece ser apenas uma esposa ciumenta e briguenta. Na realidade, ela reflete a turbulenta princesa nativa, coagida mas nunca realmente subjugada, por um conquistador estrangeiro.”

Nossa estrutura de casamento moderno ainda permanece bem semelhante à retratada no Olimpo por esses Deuses. Para o cristianismo, o casamento é considerado um sacramento cujo maior objetivo é a procriação de filhos, permanecendo patrilinear.

A idéia do amor romântico vem com os trovadores e com o culto do amor cortesão.
Vemos, portanto, a necessidade de uma integração de Afrodite (Deusa do amor) com Hera, pois trás a dimensão da vivência sexual/erótica do casamento, pois enquanto Hera cuida da estabilidade, a Deusa do Amor e da Beleza cuida do aspecto criativo capaz de manter a chama da paixão e do conhecimento mútuo tão necessários em uma relação.

Percebemos como uma Deusa precisa da outra, ou melhor, quanto é necessário que o mundo feminino seja dotado de todos os aspectos em equilíbrio para uma vivência plena:

Com Hera aprendemos a manter as coisas importantes na nossa vida, o princípio da união e a manifestação e aceitação do poder de si e do outro.
Com Afrodite aprendemos amar e mergulhar no processo criativo dentro de nós e para o outro,
Com Deméter aprendemos a cuidar, acalentar, a doar incondicionalmente para os nossos filhos reais ou simbólicos...
Com Atena aprendemos a ser justas, trabalhar e cobrar a justiça entre todos os seres, aprendemos a pensar e tomar decisões calcadas em análises...
Com Ártemis aprendemos a nos conectar com os nossos instintos, com a natureza dentro e fora de nós, a aceitar a liberdade natural, o ciclo das coisas vivas...
Com Perséfone aprendemos à arte da receptividade, a espontaneidade de uma criança e o mergulho interior que nos faz crescer, mesmo que através da dor...
E com Héstia aprendemos sobre a nossa espiritualidade, sobre o fogo sagrado e o princípio do Universo,

Finalmente com a dança do ventre aprendemos a fazer todas as Deusas dançarem a dança da integração, aprendemos que ser mulher é um dom divino e por esse princípio sagrado reconhecemos a beleza singular de cada uma das obras de arte representada por cada ser feminino.

A mulher é um receptáculo sagrado, seja de um novo ser, de idéias, de projetos, de sabedoria espiritual, de virtudes...

Ser mulher é doar-se na vida e para a mesma como serva e autora em todas as suas formas...